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Tudo sobre o Halloween

Você sabia que este famoso feriado celebrado no dia 31 de Outubro possui suas raízes em antigas tradições europeias? De origem Celta e posteriormente modificado pelo cristianismo, o Halloween saiu da Europa e foi para os EUA, onde ganhou força e influenciou o mundo. Conheça agora sua verdadeira história!

 

Quem é que não adora uma festa de Halloween? Nessa noite, todos se animam para queimar os pedidos no caldeirão, comer deliciosos quitutes, usar fantasias e enfeitar a casa com velas. Mas, você sabe por que tudo isso acontece? E mais: por que este dia acabou rodeado por histórias de terror, travessuras, fantasias, morcegos e caveiras?


Uma pincelada na História da Humanidade

 

Bom, para entender verdadeiramente a origem do Halloween, devemos primeiro saber um pouco mais sobre nossa história antiga. Tudo começou muito tempo atrás, há cerca de 10.000 anos, quando o mundo vivenciou a Revolução Neolítica. Foi graças a este movimento que os humanos saíram do estilo nômade e a passaram à permanência em uma determinada região. Porém, esta drástica mudança no rumo da humanidade não aconteceu de repente, mas foi pouco a pouco enquanto o homem passava a observar mais atentamente as plantas e os astros, o que lhe permitiu entender a influência da Lua e do Sol sobre a colheita.

 

Assim nasceu a agricultura, que possibilitou não só a domesticação das plantas, como também a construção dos lares e das vilas, fazendo com que a  vida de caçadores e coletores fosse substituída pela vida no campo. E, a partir desse momento, a sobrevivência dos homens passou a depender inteiramente do ciclo de plantio e colheita.

 

Os agricultores Neolíticos foram os pais de muitos dos povos modernos. Dentre os seus descendentes diretos, um dos principais é o povo Celta. Acredita-se que os Celtas habitavam a Península Ibérica (sul de Portugal e sudoeste da Espanha) e que, nos finais da última Idade do Gelo, este povo migrou para o Noroeste Europeu e ocupou as novas terras que recém apareciam por debaixo da cobertura glacial derretida. Isto foi há 6.000 anos e até a conquista daqueles territórios pelo Império Romano (por volta do séc. I), boa parte da população da Europa ocidental ainda pertencia às etnias Celtas.
 

A festividade Céltica que inspirou o Halloween
 

Na religião Celta, a Natureza era a expressão máxima da Deusa-Mãe, pois, através de sua Graça, o solo produzia o alimento que sustentava a vida dos homens. Desse modo, o calendário anual Celta marcava o tempo conforme as manifestações da Natureza e o ciclo da agricultura. Além dos equinócios e solstícios, eram celebradas grandes festas que marcavam a transição entre as estações, tais como o Imbolc, no início da Primavera, o Belthane, no início do Verão, o Lughnasadh no início do Outono e o Samhain no início do Inverno. 

 

A data de celebração do Samhain era 7 de Novembro (a meio caminho entre o equinócio de outono e o solstício de inverno), mas por ser uma festa de grande importância para os Celtas, era precedida por uma série de festividades que começava uma semana antes, na noite do dia 31 de Outubro (no Hemisfério Sul, a data equivalente seria dia 30 de Abril). 

 

Além de ser a festa que anuncia a chegada do Inverno, o Samhain é também o Ano Novo Celta e, tal como a lunação começa com a Lua Nova, o novo ciclo anual Celta se inicia com a escuridão, o recolhimento, introspecção e o fim da colheita. Assim, o Samhain é a máxima representação da renovação: a morte do que é velho para o nascimento do novo.

 

Como vimos, para os povos da antiguidade a colheita era questão de vida ou morte, portanto esta data era o prazo limite para dizer se a plantação foi suficiente para sustentar as famílias durante o Inverno ou se todos morreriam de fome. Depois desse dia, o clima começava a ficar assustador, os dias eram mais curtos e as noites mais longas. 
 

Por marcar o início da parte escura do ano e a proximidade do Inverno, esta data era também conhecida como a Noite Sagrada. A própria palavra Samhain significa "sem luz", ou seja, nesta noite o mundo mergulha na total escuridão da alma, preparando as pessoas para a chegada das noites frias. Representa, basicamente, o ciclo das reencarnações e o período no qual o véu entre os mundos fica mais fino. No Samhain, não só os vivos e os mortos podem se misturar, mas também o tempo-espaço, o passado e outras realidades.

 

Como era celebrado o Samhain?
 

 

No Ano Novo Celta era comum homenagear a memória dos antepassados mortos através do preparo de alimentos de sua preferência, contando suas histórias aos seus descendentes e acendendo fogueiras nas colinas em sinal de respeito e agradecimento. Estas fogueiras, chamadas de hallowe’en fires (fogueiras da Noite Sagrada), além de homenagear os antepassados, serviam também para purificar as pessoas e a terra, afastando os demônios da escuridão que apareciam durante as longas noites.

Assim, os Celtas celebravam a virada do ano com uma festa para os mortos e para os vivos. Como os espíritos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares, os sacerdotes lideravam a celebração fazendo a ponte entre as pessoas e os seus antepassados. Ao contrário do que pode parecer, isto não despertava medo ou terror algum pois, para o povo Celta, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. 

 

Deste modo, o Samhain marca não só a morte, mas também a renovação, o início de um novo período e um recomeço da vida, pois o tempo é cíclico e o fim representa sempre um novo começo. Para eles, esta era a época ideal para acessar o Outro Mundo em busca de inspiração, bênçãos e cura. Por esta razão, além de homenagear os antepassados, as fogueiras sagradas serviam também como fonte para acender todos os demais fogos do vilarejo, que queimavam durante todo o inverno com o objetivo de levar luz através da escuridão. Com este fogo os Celtas praticavam seus rituais de purificação, queimando simbolicamente todas as suas frustrações e as ansiedades do ano anterior, seja nas fogueiras, no caldeirão ou através da chama das velas. 

 

A influência dos festivais pagãos cristianizados
 

Como a maioria destas tribos foi conquistada e mais tarde integrada pelos Romanos, a cultura Celta sofreu muitas alterações pela influência dos invasores e depois pela cristianização. Porém, por mais contraditório que pareça, as práticas culturais sobreviveram justamente pelas mãos dos cristãos, que começaram a adotar e modificar as tradições folclóricas existentes ao invés de criar as suas próprias (deste modo era muito mais fácil converter os pagãos para o cristianismo).
 

Um dos festivais pagãos mais importantes a passar por uma remodelagem foi a Lemúria, que acontecia no dia 13 de Maio. De todas as celebrações aos mortos dos calendário romano, a Lemúria era o mais assustador. Nesse evento, os fantasmas dos mortos apareciam para aterrorizar as crianças e, para acalmar o espírito dos mortos, os romanos despejavam leite nos túmulos ou deixavam pequenos bolos como oferta. 
 

No ano de 609, no intuito de cristianizar um festival pagão, a Igreja incorporou e transformou a Lemúria no dia de Todos os Santos, para homenagear e rezar pela alma dos principais mártires do cristianismo. Posteriormente, o Papa Gregório III mudou a data para 1 de Novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro e que curiosamente também coincidia com a festividade pagã Samhain. Assim, duas festas pagãs foram cristianizadas em uma tacada só, fundindo os seus diferentes costumes e somando-os às novas práticas cristãs. E foi assim que esta data ganhou um ar de terror.

 

Como o Dia de Todos os Santos era uma festa grande, era tradicional que se fizesse uma vigília para preparar tudo na noite anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Even (Vigília de Todos os Santos). No séc. XVI, o nome foi encurtado para Hallow-e'en e passou depois pela alteração gramatical até chegar à palavra atual: Halloween.

 

E quando o dia 2 de novembro foi sancionado pela igreja católica como o dia de Finados, os padres começaram a pediram aos fiéis para que rezassem pelas almas presas em um mundo intermediário de sofrimento a que eles chamaram de purgatório. De acordo com a igreja católica, se os fiéis rezassem bastante, neste dia poderiam mandar uma alma para o céu e foi isso que levou a um costume medieval que tem uma incrível semelhança com o Doces ou Travessuras do Halloween moderno: as crianças saíam pedindo Soul Cake (Bolinho das Almas) e em troca se ofereciam para rezar pelas almas do purgatório.
 

E por que contam histórias de terror no Halloween?
 

Bom, com a colonização dos Estados Unidos, os imigrantes escoceses e irlandeses levaram seus costumes rurais do velho para o novo mundo, ajudando a manter as tradições dentro de seus grupos, festejando, comendo quitutes e contando histórias em volta da fogueira. Porém, muitas influências externas já tinham se misturado à celebração Celta original. Sem falar nos colonizadores cristãos, que levaram com eles a tradição do Dia de Finados e todo o ar sombrio do purgatório e do antigo festival da Lemúria.

 

A situação se agravou ainda mais depois da Guerra Civil americana, quando o conceito antigo de que os mortos poderiam entrar em contato com os vivos passou a ser uma crença popular no país, fazendo deste um assunto  quase que obsessivo da população. Em 1865, havia tantos corpos irreconhecíveis nos campos de guerra, que os EUA ficaram obcecados pela morte. Grande parte dos soldados foram enterrados sem identificação e, sem saber o que aconteceu, a população achava que eles poderiam voltar. As pessoas passaram então a contar histórias de fantasmas e as primeiras histórias desse tipo eram sobre soldados que voltavam para casa.

Não demorou muito para que o costume de contar histórias de terror no Halloween se enraizasse e as histórias que eram contadas já não falavam mais só de fantasmas, mas de tudo o que aterrorizasse, como por exemplo o diabo, vampiros, lobisomens e até mesmo as bruxas (que não tinham nada de assustador). 

 

Como as bruxas foram parar nas histórias de terror

 

Na tradição Celta, as bruxas eram vistas como pessoas espiritualizadas, que celebravam a terra e rezavam para as forças da Natureza. Elas eram curandeiras que usavam as ervas e poções como instrumentos de trabalho. Porém, a discriminação que elas viveram no auge do cristianismo está neste incrível paradoxo relacionado à cura: o poder de curar também está inevitavelmente ligado à doença. Quando em 1231 a Igreja católica romana criou a Santa Inquisição com o intuito de capturar heréticos, as autoridades cristãs reprovaram a bruxaria e disseminaram a crença de que as bruxas adoravam o demônio, por trazerem a doença e a morte.

 

Na verdade, muitas vezes as bruxas estavam apenas tentando curar pessoas que tinham doenças incuráveis (e que acabavam morrendo) e nas outras, eram acusadas por pessoas que as queriam ver mortas apenas por não aceitar que mulheres pudessem ter dons especiais. É um grande salto passar da crença de que os heréticos ligavam-se ao demônio para a afirmação de que a magia estava associada ao diabo. Porém, ainda assim, em 1320 o Papa João XXII expandiu a Inquisição e passou a perseguir as bruxas e a queimá-las em fogueiras.

 

Enfim, como a crença popular dessa época fixou as bruxas como figuras que representavam o mal e a morte, elas foram posteriormente incorporadas nas histórias de terror do Halloween nos Estados Unidos do séc. XX. E, embora em 2014 o Papa João Paulo II tenha pedido perdão ao mundo pela Santa Inquisição, nós bruxas estamos sofrendo até os dias de hoje as consequências dessas atitudes preconceituosas, intolerantes e machistas.

 

Jack Miserável e como surgiu a lanterna de abóbora
 

Bom, em paralelo às histórias de fantasmas e bruxas, uma das histórias de terror mais tradicionais do Halloween é a história de Jack Miserável. Diz a lenda que vivia na Irlanda um homem chamado Jack Miserável, que ganhou esse apelido por ser um homem maldoso,  traiçoeiro e sem escrúpulos. De tão ruim que era, chamou a atenção do diabo, que adorava se divertir com as suas maldades. O diabo se identificou tanto com Jack, que ficou ansioso para tê-lo ao seu lado no inferno e foi um dia buscá-lo pessoalmente na Terra. Porém, engenhoso que era, Jack conseguiu enganar o diabo duas vezes e acabou o deixando com muita raiva.
 

Então, na altura de sua morte, Jack obviamente não foi aceito no céu e, perdido, se dirigiu ao inferno. Chegando lá, o diabo disse que ele não era bem-vindo e se recusou a recebê-lo. Mas, quando Jack começou a chorar, o diabo ficou com pena e lhe deu um pedaço de carvão flamejante para que ele pudesse iluminar o seu caminho pelas sombras do limbo. Para que o fogo não se apagasse, Jack logo colocou a brasa dentro de um nabo e começou a vagar sem rumo.

 

Passado um tempo, ele encontrou uma bruxa que andava pelo limbo e que estava com muito frio. Jack se aproximou e aqueceu a bruxa com a sua brasa enquanto contava  sua história para ela. Agradecida, a bruxa quis ajudar e esculpiu um rosto sorridente em uma abóbora para colocar a brasa dentro, de modo que ela nunca se apagasse. E, antes de seguir viagem, contou a Jack que ele poderia visitar a Terra uma vez por ano, na noite de 31 de Outubro, quando o véu entre os vivos e os mortos fica mais tênue, assim ele não se sentiria mais tão só.

 

A partir de então, em toda noite de Halloween, Jack passou a colocar a abóbora na cabeça para que o diabo não o reconhecesse saindo do limbo e dessa forma conseguia escapar e visitar as pessoas na Terra.

 Quando as lendas escocesas e irlandesas chegaram aos Estados Unidos, na época da guerra civil, as crianças copiavam a lanterna de Jack Miserável para assustar e pregar peças. A tradição de assustar se enraizou tanto, que já no inicio do século XX a juventude americana esperava ansiosa por uma noite cheia de confusões, sustos e terror, o que acabou infelizmente levando a brincadeiras mais violentas e  ao vandalismo. 

 

Origem das festas à fantasia e do “Doces ou Travessuras”

 

As "brincadeiras" fizeram com que o Halloween adquirisse traços caóticos e perigosos. Nessa altura, os jovens deixaram de pregar peças inocentes para estourar postes de luz, incendiar casas e apedrejar carros. As crianças chegavam ao ponto de passar sabão nos trilhos para que os bondes descarrilhassem e os passageiros se machucassem e faziam todo tipo de ação destrutiva na comunidade rural.
 

Durante a grande depressão as travessuras eram em parte produto de uma fase de desespero ou uma desculpa para extravasar, mas o país já estava cheio de problemas e muitas comunidades não conseguíam nem comprar comida, quanto mais limpar a bagunça deixada por vândalos. Para continuar existindo, o Halloween teria que passar por mudanças, portanto as escolas, os departamentos de polícia e outros grupos civis promoveram com pulso firme a ideia de um Halloween mais tranquilo.
 

Os grupos inventaram vários tipos de atividades para divertir as crianças: festas nas ruas, concursos de fantasias e jogos. Tudo para fazer com que elas voltassem a se divertir e parassem de vandalizar. Foi uma grande ação em conjunto, onde até as empresas começaram a fabricar e vender fantasias: havia modelos para desfiles na rua, para festas na escola e na igreja. O Halloween virou um grande evento social e os desfiles ajudaram a tirar a festividade das sombras, levando-a ao conhecimento do público.
 

O "Doces ou travessuras" surgiu também nessa mesma época, resgatando a essência do Soul Cake que as crianças costumavam pedir no dia de Finados do séc. XVI. A ideia de subornar as crianças com doces caseiros como pirulitos, pipoca doce e maçãs do amor, contribuiu muito para a diminuição da violência. E em 1939 a frase de costume começou a ganhar o seu lugar na comemoração.

 

Considerações finais 

 

Esta é a história de como o Halloween chegou ao formato como é conhecido hoje, com festas à fantasia, decorações assustadoras, histórias de terror, abóboras com velas e muitos doces. É muito gostoso comemorar esse dia! Mas, o mais importante é lembrar-se de sua verdadeira origem. No Halloween inicia-se um novo ano e um novo ciclo, portanto é hora de resolver as pendências do passado, desatar nós, perdoar e fazer planos para o futuro. É tempo de se reconectar ao Universo e pedir auxílio divino para iluminar o nosso caminho. Lembre-se com carinho daqueles que se foram, agradeça pela colheita do ano anterior e siga em frente!    

 

Espero que este texto tenha lhe ajudado na busca pela origem das coisas e pela reconexão à fonte. Nos vemos na próxima postagem, até lá!

 

 

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