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O guia básico da Lua: origem, movimento e lunação

10.10.2017

Você sabe por que às vezes vemos a Lua durante o dia e outras vezes só à noite? Sabe como identificar se aquela meia-lua no céu é a Lua Crescente ou Minguante? Por que só ocorrem dois Eclipses ao ano? Do que é feita a Lua ou de onde ela veio? Veja agora em nosso guia básico a resposta para todas essas perguntas!

 

 

A influência da Lua 

 

Embora nossa Lua não seja a maior lua existente no sistema solar, a sua proporção é realmente única. Com 1/4 do tamanho da Terra, ela é o maior satélite natural conhecido em relação ao tamanho do seu corpo primário. Esta sua grande massa associada à sua proximidade em relação à Terra faz com que a Lua exerça uma enorme força gravitacional no nosso planeta, dando a ela um papel vital na manutenção e equilíbrio da vida.

 

Um breve exemplo disto são as marés. Este fenômeno é um dos principais responsáveis pela dinâmica das águas dos oceanos, logo, responsável também pelo remelexo da sopa quente de onde teriam se originado as primeiras formas de vida na Terra. Como você deve saber, as marés são provocadas pela força gravitacional da Lua enquanto ela se desloca no céu, de um lado para o outro. Ou seja, sem ela nada disso teria acontecido. De alguma forma, a Lua é mesmo a grande mãe dos terráqueos!

 

E é bastante provável que os povos mais primitivos já entendessem este seu papel, pois desde tempos imemoriais a Lua é adorada como a grande deusa da criação e da fecundidade, associada ao feminino e ao poder miraculoso das mulheres na concepção. Ela simbolizava a vida e a morte, o plantio e a colheita, além da passagem do tempo... Alguns historiadores, inclusive, defendem que certos entalhes em ossos do período pré-histórico são uma forma que nossos antepassados encontraram para marcar as das fases da Lua, o que depois teria dado origem aos primeiros calendários da história. 

 

O que é, de fato, a Lua? 

 

É curioso pensar que em 455 A.C., o sábio grego Alexágoras já teorizava que a Lua seria um pedaço de rocha que se desprendeu da Terra (o que está muito próximo da teoria mais aceita atualmente), porém a sua ideia não teve muitos adeptos na época. A razão disso é que grande parte dos estudiosos tinha certeza que a Lua era uma grande e brilhante deusa, o que ilustra mais um exemplo de como ciência e magia ficam tropeçando uma na outra, quando, na verdade, estão querendo dizer uma mesma coisa.

 

Graças à deusa, nossos olhos de mago nos permitem ver que o poder divino dos astros (aquilo que os faz serem considerados deuses) em nada contradiz o fato deles serem feitos de rocha. A divindade se encontra na energia sutil que existe em todas as coisas e no caso da Lua, como vimos, o seu poder divino está simplesmente em seu campo gravitacional que provoca as marés externas e internas. Se a Lua não fosse uma rocha, ela não teria um campo gravitacional, portanto jamais poderia ser a deusa da criação e da fertilidade!

 

 

Enfim, por muitos anos a pergunta a respeito da composição da Lua inspirou inúmeras teorias. Até que em 1609 surgiram as primeiras informações concretas, que nos levaram de volta ao ponto de onde parou Alexágoras. Foi nesse ano que o astrônomo italiano Galileu Galilei criou um dos primeiros telescópios e o apontou para a Lua, o que lhe permitiu fazer desenhos detalhados dela e comprovar que se tratava mesmo de um mundo sólido. A partir de então os estudos avançaram significativamente. Sabemos hoje que a Lua é nosso satélite natural e que, na verdade, o brilho que vemos sair dela são os raios do Sol refletidos em sua superfície.

 

E de onde ela veio?

 

Tendo esclarecido o que a Lua é de fato, a humanidade começou a teorizar sobre sua origem. Dentre todas as teorias criadas, a mais aceitável atualmente é a teoria do impacto gigante, de 1974, que afirma que a Lua se formou através do impacto de um planeta do tamanho de Marte que se formou nas redondezas da Terra durante o tempo da formação dos planetas (há 4,5 bilhões de anos), quando a Terra ainda estava parcialmente fundida. 

 

De acordo com esta teoria, essa enorme colisão foi a responsável por fazer a Terra começar a girar no seu movimento de rotação, criando o nosso dia de 24 horas (que na verdade, pasmem, são 23h56m4s). O choque também lançou uma enorme quantidade de material para a órbita da Terra e foi a partir da aglutinação desse material que a Lua depois se formou, girando em órbita ao redor do planeta no mesmo sentido do impacto e em torno de si mesma, em seu próprio movimento de rotação. 

 

É por isso que a rotação da Terra, a rotação da Lua e a órbita da Lua acontecem todos no mesmo sentido: anti-horário quando visto a partir do polo norte terrestre (obs: o GIF, retirado de um vídeo da BBC, mostra a lua se movendo no sentido horário. Isso acontece porque o pólo sul está representado como voltado para cima - acredita-se que o impacto tenha ocorrido no pólo sul do planeta).

 

Os movimentos da Lua

 

O movimento da Lua ao redor da Terra, conhecido como órbita (ou período sideral), dura aproximadamente 27 dias e 8 horas. Já a lunação, que é o ciclo de todas as fases da Lua, começa quando a Lua está alinhada entre a Terra e o Sol e só se completa em aproximadamente 29,5 dias, quando ela volta a se alinhar (Sol-Lua-Terra em ângulo de 180°).

 

A órbita e a lunação possuem períodos diferentes porque a Terra gira ao redor do Sol, fazendo com que a Lua tenha sempre que andar um pouquinho mais para chegar à nova posição de alinhamento, depois que a Terra andou quase 1 mês no seu movimento orbital. Isso faz com que o movimento da Lua ao redor do Sol se pareça com o formato de uma flor. 

 

 

Quanto ao movimento de rotação da Lua, podemos ressaltar uma curiosidade: o tempo que a Lua leva para dar uma volta completa em seu próprio eixo coincide perfeitamente com o período de sua órbita ao redor da Terra. Dessa forma, apesar de todos os lados da Lua serem iluminados igualmente durante o seu movimento de rotação (assim como acontece com a Terra), existe uma face dela que nunca pode ser vista a partir daqui. É daí que vem a expressão "o lado escuro da Lua", que de escuro não tem nada, além dos mistérios daquilo que não pode ser visto. Por outro lado, sua outra face está sempre voltada para nós.

 

 

A face visível da Lua é caracterizada por manchas bem distintas formadas por crateras cheias de rocha vulcânica. Como ela não possui atmosfera, as colisões de asteroides são brutais em sua superfície, alcançando até as profundezas do solo e acarretando em enormes derramamentos de lava que, vistos daqui, parecem oceanos. Por isso, os renascentistas do séc XVII os chamaram de maria (em latim significa mares) e esse termo é usado até hoje. Em diferentes países, esses padrões lunares foram vistos como a Dama na Lua, o Homem na Lua ou o Coelho na Lua (dependendo do hemisfério em que se encontra o observador).

 

As fases lunares

 

Bom, à medida em que a Lua se desloca em sua dança ao redor da Terra, vemos a sua superfície iluminada pela luz do Sol através de diferentes ângulos. Isto faz com que ela apareça para nós sob diferentes aspectos aos quais chamamos de fases da Lua. É por isso também que cada fase só é vista em determinados horários do dia ou da noite, pois a fase depende da posição em que a Lua se encontra em sua órbita ao redor da Terra.

 

Sabemos que metade da Lua está constantemente iluminada, portanto o que determina em qual fase ela está é o nosso ponto de vista a partir da Terra. No trajeto entre Lua nova e Lua cheia, vemos a face iluminada aumentar de tamanho, por isso seu nome é Crescente e, à medida em que ela continua da fase Cheia de volta à posição de Lua Nova, vemos seu lado iluminado diminuir de tamanho, por isso seu nome é Minguante. As fases do ciclo lunar, ou lunação, são:   

 

 

1. Lua Nova. A lunação começa na Lua Nova. Durante esta fase, a Lua fica em conjunção com o Sol, ou seja, o ângulo entre Sol, Terra e Lua é praticamente zero, isso faz com que o hemisfério lunar voltado para a Terra fique completamente sombreado. A Lua Nova nasce ao amanhecer e se põe junto com o Sol, portanto a luminosidade do Sol ofusca completamente a presença opaca da Lua no céu, impossibilitado que a vejamos nesta fase.

 

2. Lua Crescente. Imediatamente depois, a Lua começa a crescer e já podemos ver um fiapinho tímido de luz. Porém, somente 3 dias depois da Lua Nova é que podemos considerar que chegou a Lua Crescente, quando a Lua se desloca a 45° em relação ao eixo Terra-Sol.

 

3. Quatro Crescente. Conhecido também como o primeiro quarto, surge cerca de uma semana depois da Lua Nova, quando a Lua está em quadratura com o Sol, ou seja, Sol, Terra e Lua em ângulo de 90°. O Quarto Crescente nasce aproximadamente ao meio-dia e se põe por volta da meia-noite, portanto é possível ver esta Lua durante à tarde ou à noite. O seu aspecto é o de um semicírculo voltado para o Oeste. 

 

4. Crescente Gibosa. Logo na sequência, uns 3 dias após o Quarto crescente, vem a Crescente Gibosa. Ela aparece quando a Lua se desloca 135° em relação ao eixo Terra-Sol e fica com aquele formato quase redondo, enquanto se aproxima da fase Cheia.

 

5. Lua Cheia. Passadas duas semanas da Lua Nova, a Lua chega ao seu Segundo Quarto e fica em oposição ao Sol, ou seja, o ângulo entre Sol, Terra e Lua é de 180°. Os raios solares iluminam toda a face da Lua que fica voltada para a Terra e podemos ver uma maravilhosa Lua Cheia. Nesta fase, a Lua fica visível do anoitecer ao amanhecer.

 

6. Minguante Gibosa. Esta Lua aparece por volta de 3 dias depois da Lua Cheia, quando a Lua começa o seu movimento decrescente. O seu formato é arredondado, muito parecido com a Crescente gibosa, mas espelhada.

 

7. Quarto Minguante. Três semanas após a Lua Nova vem o Quarto Minguante ou Terceiro Quarto. Neste dia, o aspecto da Lua é de um semicírculo voltado para o Leste. Esta Lua nasce à meia-noite e se põe ao meio-dia, aproximadamente. Portanto, podemos vê-la no céu de madrugada e pela manhã.

 

8. Lua Minguante. vem no encalço, quando a Lua forma uma angulação de 315° com a Terra e o Sol. O seu formato é bem mais estreito, quase desaparecendo enquanto se move lentamente em direção ao fim do ciclo de Lunação, 29,5 dias depois da Lua Nova. 

 

Como identificar em que fase está a Lua apenas observando o céu? 
 

Bom, a orientação do Crescente e do Minguante lunar depende da latitude do observador. Por isso às vezes você encontra calendários lunares com o desenho da Lua Crescente voltado para lados diferentes. Na página inicial do Mago Moderno sempre temos um calendário lunar com a simbologia de quem observa a partir do hemisfério Norte (que é onde eu e o Kalil moramos). De qualquer forma, a Lua sempre estará na mesma fase em todo o planeta, o que muda apenas é o formato em que ela aparece no céu. Ou seja, se é Lua Crescente em Portugal, também será Lua Crescente no Brasil.

 

No extremo hemisfério Norte, a porção brilhante cresce da direita para a esquerda, até chegar à Lua Cheia e termina com o Sol refletindo sua luz no lado esquerdo da Lua em sua fase Minguante. Uma dica para memorizar quando a Lua está minguando ou crescendo no hemisfério Norte é fazer arcos com os seus braços. Levante o braço direito e faça com ele um arco, este será o formato que terá a Lua na fase Crescente (procure lembrar, a fase crescente é ativa e masculina, portanto, lado direito); faça um arco com o seu braço esquerdo, a Lua minguante terá este formato (a fase minguante é passiva e feminina, portanto, lado esquerdo).

 

 

Ao contrário do hemisfério Norte, no extremo hemisfério Sul a Lua é iluminada da esquerda para a direita, ou seja, começa a crescer quando a luz do sol reflete em seu lado esquerdo e a minguar quando a luz estiver em seu lado direito. Uma dica para memorizar se a Lua está crescendo ou minguando no hemisfério Sul é associar o seu formato com as letras C e D. Quando ela está Crescente, o formato dela no céu se assemelha a um C de Crescente; e quando está minguando, formato dela no céu se assemelha a um D de Decrescente.

 

Conforme a latitude do observador se aproxima ao Equador, a Lua Crescente se inclina gradualmente. Deste modo, na Linha do Equador o Quarto crescente assemelha-se a um sorriso e o Quarto minguante, a uma cúpula. Isso acontece porque esta latitude está praticamente alinhada com a órbita da Lua, portanto vemos a Lua se iluminar e crescer de baixo para cima. 

 

Os Eclipses
 

Como a Lua gira em uma órbita ligeiramente inclinada (5°) em relação ao movimento de translação da Terra, a sua sombra passa geralmente por cima ou por baixo do planeta. Mas, duas vezes ao ano, a órbita lunar fica em uma posição que permite o alinhamento perfeito entre Terra, Lua e Sol, o que coincide com a posição da Lua quando esta se encontra em sua fase Nova. É por isso que um Eclipse Solar só pode ocorrer duas vezes ao ano e durante uma Lua Nova.

 

Neste momento, então a sombra da Lua bate na Terra e esconde o Sol. O mais surpreendente disso tudo é que o Eclipse total do Sol acontece apenas por uma coincidência astronômica, pois o Sol é 4 vezes maior do que a Lua, mas fica 400 vezes mais longe da Terra do que ela. Isso faz com que vejamos a Lua e o Sol do mesmo tamanho no céu, o que permite que a Lua cubra o Sol com extrema precisão. 

 

 

Duas semanas antes ou depois de um Eclipse Solar frequentemente há um Eclipse Lunar, quando a Lua chega ao lado oposto de sua órbita e entra na sombra da Terra. A posição de oposição é a posição da fase Cheia, por isso somente numa noite de Lua Cheia pode acontecer um Eclipse Lunar, e isto também só ocorrerá duas vezes ao ano. 

 

Curiosidade: Sobre aqueles dias em que a lua parece ficar enorme
 

Você já reparou que às vezes a Lua parece enorme quando está nascendo e depois diminui conforme vai subindo no céu? Acredite ou não, isto é apenas uma ilusão de ótica. Se medirmos o tamanho da Lua com instrumentos apropriados e precisos, veremos que seu diâmetro não é maior quando está no horizonte do que quando está acima de nossas cabeças. 
 

Esta ilusão acontece por não existir nenhuma referência que nos permita calcular distâncias quando olhamos para cima, o céu é apenas um pano escuro que, aos nossos olhos, não está tão longe assim. Por outro lado, o céu no horizonte nos parece muito mais afastado, pois ao olhar para o horizonte, nossos olhos imediatamente buscam referências para calcular distâncias e afastamentos, como montanhas, prédios, árvores e uma série de objetos que nos permite comparações. 

 

E quanto mais longe estão os objetos no horizonte, menores eles ficam à nossa vista. Portanto a Lua, comparada a estas referências tão pequenas, nos parece enorme! 

 

Agora que você já sabe um pouco mais sobre este poderoso astro, tenho certeza que ficará mais fácil utilizar as suas influências durante as práticas mágicas. Você pode continuar os estudos lendo o texto: O papel da Lua na magia.

 

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